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ESCOLHA CERTO

Pela importância da indústria automobilística nacional no cenário mundial, era inadmissível que dados básicos, como consumo de combustível, fossem escondidos do comprador pela maioria dos novos fabricantes instalados no País. A justificativa era a argumentação de alguns consumidores sobre a dificuldade de reproduzir, na prática, os ciclos utilizados em norma técnica para garantir repetibilidade e comparação nos testes de homologação. As reclamações, às vezes, iam parar nos órgãos de defesa do consumidor, com desgaste das partes envolvidas.

Esse impasse acabará. Proposto em 2005 pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), com apoio de outros órgãos federais, o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) estréia em abril de 2009. Cerca de 10 países (alguns desde 1975/76), preocupados com a eficiência energética dos veículos à venda, já tomaram iniciativas semelhantes. O PBEV assemelha-se mais ao programa sul-coreano quanto a parâmetros e critérios de classificação.

No Brasil, como na União Européia, os fabricantes aderem de forma voluntária. Mas a experiência indica que nenhuma marca deixa de tomar parte. Anfavea e Abeiva (importadores sem fábrica no País) sinalizaram que todos os seus associados participarão. As etiquetas estarão nos carros, nos manuais, nos pontos de venda e na internet. Segundo o coordenador do PBEV, Alexandre Novgorodcev, “o guia Escolha Certo, atualizado anualmente, será um instrumento útil aos compradores e de estímulo às fábricas para melhorar a eficiência de motores e veículos”.

Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, considera que o programa será bem compreendido por todas as partes. As normas estão no Diário Oficial da União, com embasamento técnico e ressalvas, para ajudar a dirimir potenciais conflitos.

Uma das dificuldades iniciais foi escolher o critério comparativo: tamanho, tipo, peso ou cilindrada. Prevaleceu o primeiro e os veículos foram divididos em oito categorias conforme a área (multiplicação de comprimento pela largura, sem incluir retrovisores e outros apêndices). Automóveis, stations e monovolumes dividem-se em subcompactos, compactos, médios e grandes. A coluna sugere que se crie o segmento de submédios (7 a 7,5 m² de área projetada no solo), classificando os médios entre 7,5 e 8 m². Haverá ainda divisão específica entre esportivos, fora-de-estrada, picapes/furgões leves e médios. Por enquanto, motores diesel e motocicletas ficam de fora.

O PBEV procurou criar regras rígidas. A adesão só será possível quando pelo menos 50% dos modelos à venda de cada fabricante estiverem listados. Se mais de 25% dos modelos saem com ar-condicionado, o aparelho deverá ser ligado durante a aferição, pois afeta a referência de quilômetros rodados por litro. E a escala colorida (vai de A a E) de eficiência energética considera poder calorífico e densidade que são diferentes entre álcool, gasolina e gás.

Informação transparente e tendência de melhora paulatina dos índices de consumo de combustível são objetivos de grande interesse para todos, em um programa que reúne tudo para dar certo.

RODA VIVA

TOYOTA deve decidir em breve qual derivado do Corolla tomará o lugar da descontinuada station Fielder, na linha de montagem de Indaiatuba (SP). Os produtos potenciais são o hatch (na Europa batizado de Auris) e o monovolume (Verso, na Europa; Matrix, nos EUA). Aparentemente as chances maiores são para a segunda opção para se contrapor também ao Nissan Livina.

APESAR do súbito crescimento dos estoques em 30%, de setembro para outubro, Anfavea prefere esperar o final do mês para rever sua previsão de crescimento de 24% das vendas totais em 2008 sobre 2007. Seria preciso esperar pela reação do mercado à recente liberação de créditos do Banco do Brasil diretamente aos bancos dos fabricantes. Estes têm capilaridade e agilidade nas decisões.

EFEITO mais visível no encolhimento da oferta de crédito no mês passado foi a queda para 47% na proporção de modelos equipados com motor de até 1.000 cm³. Desde 1995, segundo ano depois da criação do incentivo fiscal (ainda existente) para motores de menor cilindrada, isso não ocorria. Em 2001, por exemplo, chegaram a ocupar 75% de todo o mercado de automóveis.

POUCOS executivos do setor aceitam fazer prognósticos para 2009 pelas incertezas econômicas ainda predominantes. Já se delineiam, no entanto, apostas em crescimento zero das vendas na pior das hipóteses. Sérgio Reze, presidente da Fenabrave, vai mais longe. “Haverá aumento de 1 dígito percentual, que poderá ser tanto de 1% como até 9%”, arrisca. A coluna estima algo em volta dos 5%.

ESTACIONAR de ré para poder arrancar depois com mais facilidade, em vez de fazer pequenas manobras que gastam mais combustível na fase fria do motor, é macete que alguns motoristas conhecem. Os ingleses fizeram as contas: economizam a média de R$ 170,00/ano. No Brasil, com combustível mais barato, a economia é menor. Ainda assim vale a pena.

Categoria: Fernando Calmon

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