
Não bastassem todos os problemas da crise econômica internacional, a indústria automobilística mundial deve enfrentar novos desafios na área ambiental e na de segurança veicular com reflexos inevitáveis no preço sugerido ao consumidor. Focando especificamente no segundo tema, um dos grandes complicadores é a falta de critério unificado entre órgãos de segurança dos Estados Unidos (NHTSA) e da União Europeia (EuroNCAP) quanto aos testes de choque contra barreiras em laboratório.
As velocidades são diferentes, as barreiras idem e até os métodos (100% frontal ou em planos deslocados). Em geral um automóvel com classificação máxima (cinco estrelas) no EuroNCAP não vai tão bem no NHTSA e vice-versa. Fabricantes que vendem seus produtos nos dois lados do Atlântico acabam prejudicados na classificação máxima ou têm de encarecê-los com modificações às vezes complexas.
O processo de homologação nos EUA, chamado de federalização, é lento e demora até 24 meses. Carros pequenos podem exigir modificações, o que dá uma ideia dos obstáculos a superar pela Fiat para conseguir vender seu modelo subcompacto 500, após o acordo com a Chrysler.
Existe outra entidade americana (IIHS), ligada às seguradoras, que conquistou influência política e faz seus próprios testes. Recentemente, divulgou resultados de colisões em laboratórios, a 64 km/h, entre carros pequenos e grandes de uma mesma marca: smart X Mercedes Classe C; Honda Fit x Accord; Toyota Yaris x Camry. Claro que aqueles de menor porte sofreram mais, além dos dummies (bonecos) indicarem ferimentos graves. O NHTSA argumenta que esse tipo de acidente corresponde a apenas 1% do total. Mas as empresas se prepararam para cobrar mais pelo seguro dos subcompactos.
Também não há regulamentação mundial para o apoio de cabeça central no banco traseiro. Fica a critério de cada fabricante, pois é rara a circulação com cinco passageiros e o terceiro apoio prejudica a visibilidade pelo retrovisor interno. Além disso, em geral crianças ou pessoas de baixa estatura são escolhidas para sentar no meio, posição onde o apoio fica sem função. Nem o cinto de segurança central de três pontos – mais útil que o terceiro encosto – é obrigatório. A instalação dessa peça, assim, acaba excluindo modelos mais baratos, do Tata Nano (nenhum apoio atrás) ao Fiat Mille (opção para dois). No Fiat 500 (sete airbags de série) os dois únicos encostos traseiros são opcionais, na versão básica.
O problema de encarecer os automóveis vai se complicar daqui para frente. O Brasil acaba de exigir freios ABS e airbags na totalidade dos modelos, escalonadamente, até 2014. São itens importantes, sem dúvida, porém não se considerou a relação custo-benefício de outros dispositivos singelos para a segurança ativa (evita acidentes). Aqui, ainda não são obrigatórias, por exemplo, repetidoras laterais das luzes direcionais e lanterna traseira de nevoeiro. Ambas muito úteis, de baixo custo e têm a ver com o dia-a-dia do trânsito.
Todas essas escolhas precisam ser bem ponderadas. Cada item adicional se traduz em aumento de preço, mesmo camuflado na mudança de ano-modelo ou em correções de origem inflacionária.
RODA VIVA
- PRÓXIMO ano será agitado em termos de novidades para a Peugeot. Da Argentina virão o multivan Partner e seu irmão Citroën Berlingo reestilizados, já no primeiro semestre. No final de 2010 chega o novo 308. Dessa vez a empresa francesa manteve o projeto original à venda na Europa. Nada de versão intermediária, como o 206 e meio, batizado de 207.
- DENATRAN, finalmente, conseguiu ver descontingenciado o total das verbas, ao menos neste ano, para campanhas do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito. O Projeto Viva o Trânsito, por exemplo, atenderá quase 60.000 escolas do ensino fundamental de todo o País. Orientar a juventude é fundamental a fim de poupar vidas no futuro.
- CÂMBIO manual garante vivacidade ao Citroën C4 hatch, de 2 litros, 151/143 cv. Oferece menos conforto em relação ao automático, cujas hesitações ao pisar fundo (kick down) incomodam, mas tem preço e menor consumo a favor. Modelo argentino marca presença, é bem equipado pelo valor pedido, tem painel moderno e bom espaço interno. Ponto fraco: raspa em lombadas.
- FIM de linha, antes do previsto, para a Pontiac, corte adicional de concessionárias e de fábricas fazem parte do pacote com que a GM tenta evitar o pedido de concordata nos EUA, até o dia 30 de maio. Fritz Henderson, presidente, afirma que a estratégia é se preparar para ser rentável e não só sobreviver. Saab, Saturn e Hummer: marcas também a descartar.
- MILLE é o novo recordista nacional de longevidade – num momento que talvez não mereça comemoração. Em 2009 completa 25 anos, superando o Opala que pouco se modificou em 24 anos. Fora o Fusca, fenômeno à parte, o Gol é mais antigo (29 anos), mas mudou bem em 1994 e no modelo atual só ficou o nome. Mille ainda sobrevive até 2011, pelo menos.

Volkswagen Passat CC
Dando boas vindas ao mais novo colunista do site: Paulo Fernandes, seja bem vindo a nossa equipe.
Falando um pouco de Tuning, performance, luxo, trago aqui uma das atrações da Volkswagen para o SEMA 2008, onde estará presente um dos últimos lançamentos da marca, o Passat CC. Mas não se trata apenas de um Passat CC normal. Este vem equipado com o avanços tecnológicos de ultima geração já conhecidos na versão normal. Mas aqui deram a ele um “upgrade” deixando ele mais invocado.
Para isso, novos pára-choques com generosas entradas de ar na dianteira, na traseira escapamento duplo, e pára-choques com difusores de ar, rodas de 20 polegadas calçadas com pneus Yokohama 245/30 e saias laterais, a suspensão também foi retrabalhada, ficando mais baixa e rígida completam o visual agressivo.
No interior, bancos concha esportivos e todo o aparato tecnológico a mão do motorista. Por ultimo, não menos importante o motor, esse um 2.0 ETI foi “mexido” ganhando generosos cavalos a mais em relação a sua versão normal.
O motor ganhou turbo compressor, que possui 3 estágios. No primeiro, chamado “ Full Power”, o motor entrega 311CV, no modo “GT” são 252cv e no modo “Eco” são 222cv.
O sistema de escapamento também foi modificado sendo ele todo de aço inoxidável. Para segurar toda essa potencia os freios são da Brembo com 4 pinças. Fico na dúvida, não será esse o futuro PASSAT CC RGT ou o mais novo integrante da família R? Gostaria muito de ver a VW lançar esse modelo para brigar com o Mercedes CLS AMG.
Fonte de pesquisa: Topspeed
Por: Paulo J. Fernandes
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A grande expansão de vendas do mercado brasileiro, a partir de 2004, está viabilizando segmentos anteriormente com pouca oferta de modelos. Um deles é o de utilitários esporte médios que cresceu quase 100% nos primeiros sete meses do ano, em relação a 2007. No ano atingirá cerca de 20.000 unidades, menos de 1% do mercado de veículos de passageiros, porém a lucratividade atrai novos protagonistas.

Produtos mexicanos serão cada vez mais atraentes no Brasil, pois o acordo comercial elimina o imposto de importação. A maioria dos modelos lá fabricados está voltada, ainda, para os EUA. Mas o cenário vai mudar com o perfil de veículos menores, no momento exigido pelos americanos. Aqui a Ford foi a primeira a se beneficiar, com o Fusion. E a GM traz agora o utilitário esporte Chevrolet Captiva. Insere no segmento um preço atraente – entre R$ 93.000,00 (4×2) e R$ 100.000,00 (4×4 por demanda) –, ao se considerar seu motor V6 de alumínio de 261 cv, o mais barato do mercado. E há ainda um 4-cilindros/2,4L/170 cv, que também poderia ser oferecido em 2009.
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SEGURANÇA NUNCA É POUCO
Trânsito nas grandes cidades e segurança veicular são temas interligados e estão na pauta do dia. A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva organizou, em São Paulo, um seminário para discutir problemas e soluções. A Inspeção Técnica Veicular (ITV), por exemplo, está em discussão há exatos 20 anos. Até hoje se limita a algo superficial no estado do Rio de Janeiro e, em 2009, apenas verificação de emissões no município de São Paulo.
Grandes congestionamentos, afirma o professor e especialista Jaime Waisman, não vão parar nenhuma cidade. O trânsito fica mais lento, porém a sociedade acaba por encontrar saídas. Planejamento, verbas de engenharia não-repassadas, aspectos educativos e culturais (carona) e investimentos em transporte sobre trilhos deveriam estar na linha de frente, entre outros.
César Urnhani, da Pirelli, destacou a importância da condução eficiente. Usando menos câmbio e freio, o motorista economiza, além de lidar melhor com o trânsito. Carlo Gibran, da Bosch, mostrou que Japão, União Européia, EUA e até a China têm compromissos formais e metas de redução de mortes em acidentes. A maioria das colisões seria evitada se o motorista reagisse meio segundo antes. Para tal, a assistência eletrônica permitirá em breve a visão periférica permanente de 360 graus, além de atuar sobre freios e direção de forma automática.
Estudos nos EUA reafirmam a importância dos cintos de segurança. Eles reduzem o risco de morte em 50% e, associados aos airbags, aumentam as chances de sobrevivência em mais 26%. O simples sistema de alerta de uso dos cintos poupou 5% das vidas. Para conscientizar as pessoas no Brasil, o Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi) anunciará, no final do mês, um novo índice para os carros. Segundo Sérgio Fabiano, o objetivo é criar uma classificação ponderada de itens oferecidos de segurança ativa, passiva e patrimonial.
Orlando Silva, do Denatran, listou as regulamentações de vários dispositivos nos últimos dois anos. Reafirmou que faróis de xenônio não poderão ser simplesmente adaptados, a partir de janeiro de 2009. Haverá procedimento rigoroso a cumprir. Continuam em análise a obrigatoriedade de freios ABS, encosto de cabeça e cinto de três pontos para o passageiro central do banco traseiro e pré-tensionadores dos cintos dianteiros.
Ivan Lelis, da Philips, frisou o risco de acidente à noite três vezes maior do que o dia. Ainda assim, normas de potência elétrica das lâmpadas, linha de corte dos fachos e temperatura de cor (super branca melhor que azul, irresponsavelmente na moda) precisam ser seguidas. Kits de adaptação de lâmpadas de xenônio são liberados no Japão, mas proibidos na Europa e no Brasil.
Dispositivos de comunicação por Bluetooth (sem fio) para conversação com telefones celulares, mantendo as mãos livres do motorista, foram mostrados por Luiz Sales, da Motorola. A maioria dos países permite o seu uso, apesar de alegações polêmicas sobre distração. O fato é que há outros fatores bem mais perigosos envolvendo a falta de atenção, como cansaço e sonolência.
No total, mais de sete horas de palestras e debates deram o tom: nunca é pouco discutir segurança.
RODA VIVA
DEPOIS de novos recordes de produção e vendas em julho – no mês e no acumulado do ano –, a Anfavea confirmou: Brasil é o sexto maior produtor, posição nunca ocupada no ranking mundial. Quanto ao mercado interno, a entidade depende de dados da Rússia. Esse país, como o Brasil, integra a OICA (Organização Internacional dos Construtores Automobilísticos), mas sua estatística de emplacamentos é imprecisa.
AINDA sobre ranking. Na Europa, de acordo com Jato do Brasil Informações Automotivas, compilando números da matriz inglesa, eis os mais vendidos no primeiro semestre: Golf, Peugeot 207, Focus, Clio, Corsa, Astra, Fiesta, Punto, Polo e BMW Série 3. Dos 10, nove são fabricados aqui (só Punto e Polo alinhados ao que se faz lá) e a classificação, bastante diferente. Focus, agora em setembro, também estará alinhado.
CITROËN C3 recebeu retoques para o ano-modelo 2009. Aproximou-se do modelo francês que, aliás, mudou quase nada desde 2001 (o novo está por chegar). Quadro de instrumentos é a principal diferença, maior na versão européia. Seguiu a tendência e agregou ar-condicionado digital, sensores de chuva e iluminação (versão Exclusive), sem reajustar preços.
REVERTENDO a tendência – para o lado bom – novo Gol voltou a ter intervalo de troca de óleo de 10.000 km, em vez de 15.000 km (ou um ano). Muitos fabricantes encurtaram esse período, ao alegar problemas com combustível adulterado. Desconfia-se, porém, que a intenção era (e é) melhorar o fluxo de clientes nas oficinas autorizadas. Quem falhar, perde a garantia.
PAULO Rollo compilou 23 anos nas estradas, onde rodou quase 1,5 milhão de km por 71 países, no livro Volta ao Mundo em 8.000 Dias. Com 232 páginas, centenas de fotos selecionadas e um DVD a publicação pode ser adquirida pela internet, no site http://www.paulorollo.com .
por: Fernando Calmon
Alta Roda nº 484 — Fernando Calmon — 4/8/08
ORDEM É ECONOMIZAR
A relativa calmaria no mercado internacional do petróleo – queda de até US$ 20,00 no preço do barril – reflete os resultados já esperados. A queda do consumo de combustível nos EUA e em outros países
maduros diminuiu a pressão sobre os preços. Além disso, as vendas de veículos novos despencaram 12% nos EUA e em percentuais variados na Europa, no primeiro semestre. Portanto, desmonta-se a tese da especulação para explicar os aumentos expressivos dos últimos 12 meses.
O mundo entendeu que precisa mudar na área de transportes. Os americanos estão comprando menos picapes e utilitários pesados e partindo para automóveis e veículos mais leves. Na Europa, carros subcompactos nunca venderam tão bem. O recente progresso na tecnologia das baterias – peso menor, densidade de carga maior – permite algum avanço na oferta de modelos híbridos (motores a combustão e elétrico) e mesmo os puramente elétricos.
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