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Alta Roda nº 484 — Fernando Calmon — 4/8/08

ORDEM É ECONOMIZAR

A relativa calmaria no mercado internacional do petróleo – queda de até US$ 20,00 no preço do barril – reflete os resultados já esperados. A queda do consumo de combustível nos EUA e em outros países maduros diminuiu a pressão sobre os preços. Além disso, as vendas de veículos novos despencaram 12% nos EUA e em percentuais variados na Europa, no primeiro semestre. Portanto, desmonta-se a tese da especulação para explicar os aumentos expressivos dos últimos 12 meses.

O mundo entendeu que precisa mudar na área de transportes. Os americanos estão comprando menos picapes e utilitários pesados e partindo para automóveis e veículos mais leves. Na Europa, carros subcompactos nunca venderam tão bem. O recente progresso na tecnologia das baterias – peso menor, densidade de carga maior – permite algum avanço na oferta de modelos híbridos (motores a combustão e elétrico) e mesmo os puramente elétricos.

A área de biocombustíveis desperta cada vez mais interesse. Uma empresa americana, Gevo, pesquisa um novo tipo de álcool, o isobutanol. Entre as vantagens, em relação ao nosso etanol, estão o poder calorífico equivalente ao da gasolina, o custo só um pouco mais elevado e também servir como matéria-prima para biodiesel, bioquerosene de aviação e plásticos. Para o Brasil é um grande negócio porque essa tecnologia é bem mais eficiente a partir de álcool de cana-de-açúcar. Os investimentos nas atuais destilarias seriam relativamente baixos. Os estudos ainda levarão dois anos até chegar à escala comercial.

O isobutanol pode ter implicações mesmo na Europa, onde o diesel avançou entre os automóveis. Basta tomar o exemplo da Itália. Em 1980, o diesel – essencial em caminhões e ônibus – custava 55% menos que a gasolina. Mês passado, o diesel era vendido ligeiramente mais caro que a gasolina. O fenômeno ocorre em todos os países europeus em menor ou maior grau. O transporte de bens encareceu e os automóveis ainda subiram de preço porque a tecnologia para “limpar” motores diesel é cara e complicada. Estratégia pouco inteligente.

No Brasil, a boa notícia é que, finalmente, a etiquetagem de consumo de combustível começa em 2009. Coordenado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), o programa será lançado no próximo Salão do Automóvel de São Paulo (30/10 a 9/11), com dois anos de atraso. Uma das razões foram mudanças nos motores para a nova fase de emissões, a partir de janeiro.

Também causou muita discussão o enquadramento dos modelos. Optou-se pela área projetada no solo (comprimento vezes a largura) e oito categorias: subcompactos, compactos, médios, grandes, esporte, fora-de-estrada, picapes pesadas e leves. O programa é voluntário, mas cada marca informará o consumo de pelo menos metade dos modelos nacionais e importados à venda. A etiqueta trará esses dados e um gráfico de barras para o comprador conferir se o carro está acima ou abaixo da média da categoria.

É importante o País incluir, também, metas de diminuição de consumo, como o resto do mundo. Os fabricantes preferem desconversar. O programa de etiquetagem, porém, pode significar o primeiro passo nessa direção.

RODA VIVA

MÉXICO continua a ser alternativa para exportações ao Brasil. Acordo bilateral, sem imposto de importação, facilita tudo. GM acaba de inaugurar nova fábrica lá (US$ 1 bilhão de investimento) para produzir o Chevrolet Aveo, compacto moderno projetado na Coréia do Sul. Será exportado para a América do Sul, menos Brasil e Argentina, segundo os mexicanos. A conferir.

FURTO de catalisador para venda de metais preciosos nele aplicado tornou-se quase epidêmico na Inglaterra. Ford trabalha com empresa especializada em marcações invioláveis na tentativa de amenizar o problema. Aqui se tem notícia de que oficinas desonestas, com ou sem consentimento do dono do carro, também substituem a peça por uma falsa. Grave prejuízo ao meio ambiente.

INDEPENDENTE da polêmica escolha do nome 207, Peugeot tem produto de peso entre os compactos. Ambiente interno, materiais de acabamento (em especial do painel) e melhor isolamento acústico atraem. Outros destaques: comando do câmbio melhorado, suspensão mais silenciosa e preço menor (sem truques). Posição de dirigir não é ideal, nem o casamento estético de frente e traseira.

IMPERDÍVEL: A História do Automóvel, primeiro volume (de três) do decano jornalista José Luiz Vieira sobre o tema. Paginado mais como revista do que livro tradicional, tem inúmeras informações curiosas em forma de drops. O mundo, por exemplo, tinha apenas 900 milhões de habitantes em 1800 (só a China, hoje, 1,3 bilhão). A mobilidade continua, como nunca, no centro das atenções.

ILHAS de descanso para o público são parte da estratégia de feiras organizadas pela Reed, proprietária da Alcântara Machado. Empresa anglo-holandesa tentará implantá-las no próximo Salão do Automóvel, apesar das dificuldades do pavilhão do Anhembi, em São Paulo, que recebeu outra reforma parcial.

Categoria: Colunistas

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